[Resenha]: A Noiva Fantasma - Yangsze Choo

17 novembro 2015

Sinopse: 1893. Li Lan é uma jovem que recebeu educação e cultura, mas que vive sem grandes perspectivas depois da falência de seus pais. Até surgir uma proposta capaz de mudar sua vida para sempre: casar-se com o herdeiro de uma família rica e poderosa. Há apenas um detalhe: seu noivo está morto.

Certa noite meu pai me perguntou se eu gostaria de me tornar uma noiva fantasma.

Imagina só viver em uma realidade onde você pode se casar com alguém que já morreu. É, isso mesmo que você leu. Embora não fosse tão comum, essa era uma das práticas entre os chineses e talvez o futuro de Li Lan de A Noiva Fantasma, de Yangzse Choo. Como vocês viram acima, a sinopse desse livro é bem curtinha, então eu vou tentar falar o máximo que eu puder e dar um bom pano de fundo da história, mas sem entregar spoilers de nada :)


A prática de arranjar casamento de uma pessoa morta era rara, e costumava ser feita para aplacar um espírito. Uma concubina falecida, que tenha gerado filho, pode ser oficialmente casada para elevar seu status de esposa. Ou dois amantes que tenham morrido de forma trágica podem se unir depois da morte. Disso eu sabia. Mas casar alguém vivo com um morto era um caso incomum e, de fato, horrível.

A Noiva Fantasma se passa em 1893 na península de Malaia, que é a Malásia atual, mas que naquela época pertencia ao Império Britânico que era constituído de vários estados, incluindo Cingapura. O livro já começa com uma conversa entre Li Lan e seu pai, a respeito de uma oferta de casamento. Embora Li Lan tenha crescido cercada de muito amor pelo seu pai e sua dama de companhia, Amah, ela cresceu com uma vida social limitada, pois seu pai vive como um recluso desde que a varíola passou pela casa deles e o deixou praticamente desfigurado, além de ter causado a morte da sua mãe quando ela era muito nova.

-Não muito mais velho que você, imagino.
-E morreu de quê?
-Uma febre, foi o que disseram. Em todo caso, ele é o noivo. 
Meu pai falou com cuidado, como se já lamentasse as suas palavras.
-E eles querem que eu me case com ele?

Li Lan tem 18 anos e ela foi tão protegida a vida toda que mal sabe o que pensar desse pedido. Segundo a sua Amah, ela já deveria estar casada, ou pelo menos recebido várias propostas de casamento, haja vista que Li Lan é muito bonita e de uma boa família. Amah se desespera falando que só uma oferta dessa já trás muito azar, mas Amah diz que qualquer coisa dá azar haha.

Seu pai diz que já recusou a proposta, só que Li Lan sabe que se ela aceitar todas as dívidas de seu pai serão perdoadas e todos viverão confortáveis o resto da vida. Só que ser uma noiva fantasma não é algo fácil, e ao mesmo tempo que ela pensa nisso, como ela pode viver como viúva recebendo visitas do marido em sonhos pra sempre?! Não dá né gente, viver assombrada por alguém que você nunca viu... Até que...

-Li Lan, minha querida, como você não sabe quem eu sou? Sou Lim Tian Ching! O herdeiro da família Lim. Vim cortejá-la.
O enjoo foi aumentando, até me deixar tonta.
-Você não está morto?

A pessoa vem perturbar o sono dela! Honestamente, acho que eu fiquei bem mais indignada que Li Lan, que ficou compreensivelmente assustada e sem acreditar no que estava acontecendo. Como eu entendi, só fiquei com raiva, a hora do sono é sagrada gente :p. Quando ela conhece Lim Tian Ching (sim, esse é o nome dele, sem apelidos, acostume-se com as sílabas hehe), ela confirma o que eu já suspeitava, uma pessoa que assombra a família pra arranjar um casamento com uma menina viva não vai ser aquele mocinho por quem a gente vai se apaixonar, e ela começa a procurar formas de fazer com que ele pare de visitá-la enquanto ela dorme.

A ideia de abraçar um cadáver dificilmente contribui com o romance.

Só que durante essas visitas noturnas ela acaba descobrindo que, como sempre, nem tudo é o que parece. Lim Tian Ching diz que ele não morreu de uma febre e está determinado a provar o que aconteceu de verdade e quer que a justiça seja feita. O único problema é que ele parece um lunático quando diz que eles foram feitos um para o outro e que ela não deve confiar nas pessoas que parecem ser tão gentis com ela. Ela não sabe em quem acreditar.

Até que, de saco cheio, ela resolve tomar as rédeas da situação, ela não aguenta mais ser visitada por Lim Tian Ching e quer dar um fim nessa loucura. Só que quando ela tenta, ela acaba acidentalmente indo parar no extraordinário e super complexo mundo dos mortos.

O problema com os mortos é que todos eles queriam alguém que os escutasse. Todo fantasma que encontrei tinha uma história prontinha pra ser compartilhada. Talvez fosse solitário no além.

É nesse momento que nós embarcamos numa jornada em busca das respostas para vários mistérios e torcemos para que Li Lan consiga voltar para casa :) O que eu mais gostei nesse livro foi a construção dos personagens, não teve uma divisão clara entre o bom e o mau, as pessoas cometem erros e são imperfeitas, muitas vezes me frustrei com Li Lan e com outros personagens, mas também torci e me apeguei a eles, até mesmo os vilões. Li Lan, a jovem tentando se encontrar, Amah com suas crenças, o Velho Wong e a sua visão especial, até mesmo Lim Tian Ching e o seu lado vulnerável.

Foto do Festival Qing Ming, que é o dia de culto aos antepassados, limpeza e varrição de sepulturas.
Metade do livro é ambientado na Malaia colonial e a outra metade no pós-vida chinês, um mundo super elaborado pela autora, bem construído e sombrio, feito de coisas de papel, além de dinheiro funerário e comida queimados pela família do mortos e oferecidos a eles para que eles tivessem bens após a morte.

Sem descendentes ou enterros apropriados, os mortos vagariam incessantemente como espíritos famintos, incapazes de renascer. Apenas no Qing Ming, quando oferendas gerais eram queimadas para afastar o mal, esses desafortunados recebiam um pouco de alimento.


Dinheiro funerário queimado no Festival Qing Ming.


Outro aspecto muito interessante do livro é sem dúvida a riqueza de detalhes sobre a cultura chinesa, os festivais e seus significados, relações na sociedade, costumes, o papel da mulher naquela época, religião e o mundo pós-vida. É realmente inacreditável que as noivas fantasmas ainda existam até hoje em parte da cultura asiática.

Como vocês podem perceber, eu tive uma experiência ótima lendo esse livro, porém, eu não dei 5 estrelas pra ele. Apesar de eu ter gostado bastante da precisão da descrição, eu acho que a autora se perdeu enquanto ela falava do mundo pós-vida. Foi uma parte da leitura que passou lentamente pra mim e eu até pulei algumas páginas, talvez tenha sido difícil me familiarizar com o lugar ou com a narrativa, haja vista que eu não leio tantos livros desse gênero quanto gostaria. Ou eu estava ansiosa pela resolução de vários problemas e ansiei pela ação que demorou um pouco a chegar. Enfim, outro ponto que me tirou o sono foi que eu fiquei sem saber mais de um personagem secundário que eu gostei muito, não posso desabafar mais sem dar spoiler :(

Finalmente, todo mundo que conhece o trabalho da Editora DarkSide sabe o carinho que eles colocam nas publicações deles, o livro tem capa dura e uma diagramação linda, eles colocaram até umas páginas a mais pra gente fazer origami, junto com algumas instruções. Já dá pra ver como ele é lindo nas fotos que eu postei aqui e as outras que eu postei lá no Instagram do blog. Então, ele é um pouco caro sim, mas vale super a pena, você tem ficção histórica e multicultural, um young adult para o seu coração romântico, paranormal e mistério tudo num livro só! Super recomendo ;)


A Noiva Fantasma
Título Original: The Ghost Bride
Ano: 2015
Páginas: 360
Idioma: Português 
Editora: DarkSide® Books

Um comentário:

  1. Oi Fernanda!
    Confesso que o que me encanta nesse livro é a capa, edição em si, sabe?
    Porque não sei se o gênero é o certo para mim, rs.
    Fico com o pé atrás por ser um cadáver!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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