Resenha (Livro+Filme): A Teoria de Tudo de Jane Hawking

05 julho 2015

Sinopse: A história de Stephen Hawking é contada pela luz da genialidade e do amor que não vê obstáculos. Quando Jane conhece Stephen, percebe que está entrando para uma família que é pelo menos diferente. Com grande sede de conhecimento, os Hawking possuíam o hábito de levar material de leitura para o jantar, ir a óperas e concertos e estimular o brilhantismo em seus filhos entre eles aquele que seria conhecido como um dos maiores gênios da humanidade, Stephen.
Descubra a história por trás de Stephen Hawking, cientista e autor de sucessos como Uma breve história do tempo, que já vendeu mais de 25 milhões de exemplares. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, enquanto conhecia a jovem tímida Jane, Hawking superou todas as expectativas dos médicos sobre suas chances de sobrevivência a partir da perseverança de sua mulher. Mesmo ao descobrir que a condição de Stephen apenas pioraria, Jane seguiu firme na decisão de compartilhar a vida com aquele que havia lhe encantado. Ao contar uma trajetória de 25 anos de casamento e três filhos, ela mostra uma história universal e tocante, narrada sob um ponto de vista único.
Stephen Hawking chega o mais próximo que alguém já conseguiu de explicar o sentido da vida, enquanto Jane nos mostra que já o conhecia desde sempre: ele está na nossa capacidade de amar e de superar limites em nome daqueles que escolhemos para compartilhar a vida. O livro que inspirou o emocionante filme A Teoria de Tudo.


A Teoria de Tudo é, sem dúvidas, um dos livros mais difíceis que já li (perde somente para os livros de Jane Austen que possuem um vocabulário extremamente difícil), é complexo e muito informativo, de uma maneira boa. Eu não conseguia ler termos científicos e não parar a leitura para buscar na internet explicações mais simples, por exemplo. Como é uma biografia, eu fazia quentão de dar rostos aos nomes e sempre quando uma pessoa nova aparecia eu jogava no Google. E assim, a minha leitura se estendeu por mais tempo do que eu esperava. 

Jane carregou o livro em detalhes íntimos dos seus 25 anos de casamento com Stephen Hawking, introduziu o leitor as suas mais profundas angústias durante essa relação com os seus sentimentos mais sinceros. Por isso, não é difícil se apegar a ela desde o princípio. Tenho Jane como uma heroína, uma mulher que aceitou o amor apesar de tudo, que deu o melhor cuidando a Stephen e as crianças e que errou como qualquer outra pessoa. Que engoliu a desconfiança da família de Stephen, a mídia, sem em nenhum momento pensar em fugir. Acredito que essa biografia foi como um grito de Jane, cheio de desabafo e desespero. Jane foi mãe, esposa, mulher, chefe de família, enfermeira, humana e, agora, minha heroína.

“A culpa, disse ele, é o risco que se corre esforçando-se sempre para o mais e o melhor; o amor é a única resposta para a culpa. Somente no amor podemos sustentar uns aos outros.” Pág. 374

A biografia nos leva a diversos universos, passamos pela física, pelas músicas, pelas culturas por onde Jane e Stephen viajam, pelas línguas (principalmente a espanhola que é decorrente da tese de Jane), para momentos históricos (fala-se muito sobre a crise nuclear, corrida armamentista), pela dificuldade das mulheres em um meio intelectual, pelos sentimentos, pelo amor... Por isso, independente do título original, é inadmissível que o livro não se chame a teria de tudo.

“As expressões no rosto de Stephen eram sempre uma medida muito mais poderosa de suas emoções do que suas palavras, e nessas ocasiões era o sorriso em seu rosto que transmitia sua alegria inconfundível por seus filhos.” Pág. 154


A Teoria de Tudo
Título Original: The Theory of Everything
Autora: Jane Hawking
N° de Páginas: 448
Ano: 2015
Editora: Única

Creio que comparar um livro com um filme seja cruel, principalmente pela riqueza de detalhes e informações que um livro pode passar se comparado a duas horas de cenas de um filme. Apesar disso, ouso, sem pensar duas vezes, criticar esse filme. Jane, em seu livro, a todo instante diz como é viver ao lado do astro, sem reconhecimento do seu esforço e sendo julgada a todo instante por qualquer falha que cometera. A obra foi escrita, em grande parte, para Jane explicar o seu lado da história, não o da mídia, não pela boca alheia que insistiam em apontar as suas falhas, mas por ela, aquela que sempre esteve diariamente ao lado de Stephen, aquela que viveu as reais dificuldades. No filme, mais uma vez, senti Jane deixada de lado. O filme não mostrou nenhuma parte, repito, nenhuma parte em que Jane refletia se sentindo culpada, ou pedia conselho para alguns sobre suas incertezas.
















O filme não mostra a angustia de uma mulher que vivia entre a linha tênue entre ser ela mesma ou viver de aparências. E, pior, não mostrou as grandes dificuldades da doença de Stephen. Não retratou a dificuldade do sistema de saúde da época ou a falta de conhecimento sobre a doença, aparentemente, todo mundo do filme sabia o que era a ELA (esclerose lateral amiotrófica. Faltou, em minha opinião, uma das personagens mais primordiais para a família: Thelma Thatcher. Céus, faltou tanta gente que fizeram a diferença na vida da família. Não mostrou a preocupação de Jane com Robert, por ele tão cedo já lidar com situações de adultos, o que o fazia ficar isolado. A luta de Jane com todos os obstáculos para terminar a sua tese, mais por questão de honra do que por um diploma. O término de Jane e Stephen, no filme, foi calmo com meia dúzia de palavras, sendo que não foi assim. É incontestável o brilho de Stephen Hawking, mas como dizem por aí: “por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher”.

















O filme foi uma grande decepção, porque mais uma vez, foi contra tudo o que Jane pedia no livro: que não mostrassem as aparências, mas sim, a realidade da vida da família. O ator Eddie Redmayne foi maravilhoso em sua atuação, o que certamente salvou a minha quase perda de tempo. E não foi à toa que ganhou um Oscar, mais que merecido. Por isso, leiam o livro! Digo isso porque quero que todos vejam o lado da mulher por trás do grande astro, coisa que o filme não foi capaz de mostrar.




2 comentários:

  1. Oi Nanda!

    Nossa, eu queria muito ler esse livro! E agora, quero mais!
    Com certeza a minha leitura será como a sua, dando rostos aos personagens e pesquisando o tempo todo!!!
    Com certeza eles só quiseram fazer um filme sobre o Hawking. Não mostrar a essência verdadeira do livro, e isso é uma pena! Acredito mesmo que muita coisa interessante e essencial a trama tenham ficado para trás.

    Ansiosa pela leitura! Amei a resenha!

    Beijos,

    Celle
    www.bestherapy.blogspot.com

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  2. Bela história. "A Teoria de Tudo" é um filme que tem pontos fracos, mas o desempenho do Eddie Redmayne é digno de ser visto. No começo eu pensei que era um filme sobre a vida de Stephen Hawking, mas na realidade não é assim que é um filme biográfico de Jane Wilde Hawking, o primeiro cientista mulher. O filme é baseado em seu livro "Rumo a infinidade - Minha vida com Stephen Hawking", e ele mostra: tudo é contada a partir de seu ponto de vista. Mais descobertas de um dos supostos gênio de nossa era, o que mostra este melodrama é como uma mulher pode gerir a realização de uma casa habitada por três filhos e um marido com uma deficiência motora grave. O filme é muito bonito, mas eu teria gostado de jogar mais de descobertas de Hawking e não seu dia.

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Muito obrigada pela visita! Eu respondo por aqui mesmo ou pode deixar o link do seu blog que eu visito você :) Espero que você volte logo! Nanda ;)